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A missão do bloco

Archived by scaramouche // 2026-06-17

Vivemos tempos conturbados. Com o deslizar do pêndulo de um lado político para o outro, o que se considerava escrito em tinta da China, deixa de o ser. O pêndulo vai para um lado e algumas coisas são reescritas nos livros, vai para o outro lado e outros textos são alterados, melhorados, complementados. As notícias são modificadas aqui e ali, algumas eliminadas. Todo o Passado pode ser reconstruído quando o deixamos de possuir em jornais físicos, em fotos físicas, em livros físicos guardados na estante da sala. Trocámos essa garantia de um Passado partilhado e assim seguro, por um Passado digitalizado, sem rastos, simples de se mudar.

Quando se nos fogem as nossas memórias, ficamos vulneráveis nesse vazio a que outros nos venham tomar pela mão para aqui ou para ali, e nós como cata-ventos sem peso para nos recusarmos a ir.

Um homem precisa do seu Passado para se saber nortear. Porra, eu já nem digo que quero ter liberdade de expressão. Já só exijo poder pensar o que eu quiser. Deixem os livros onde estão, as notícias arquivadas sem alterações. Deixem-se de alterações, não me mudem as palavras com as quais eu penso.

O meu compromisso é continuar a trabalhar no bloco para ser uma ferramenta que nos liberta das nuvens bisbilhoteiras controladoras.

Para isso, quero que o bloco seja um programa relativamente leve computacionalmente, sem necessidade de uma placa GPU dedicada. Quero que não seja precisa uma ligação à internet para o usar. Quero que o bloco seja um mapa capaz de fazer sentido dos ficheiros, dos apontamentos, dos livros do utilizador, sem precisar de os alterar. A biblioteca da tua vida é feita a cada livro que realças e com cada documento com as tuas ideias. A missão do bloco é fazer sentido desses ficheiros dispersos, sem precisares de enviares os teus ficheiros para a nuvem. Não precisas de pagar para ter acesso aos teus ficheiros!